Nos 80 anos de morte de Virginia Woolf, leia o tom profético de um de seus últimos escritos

Tomaz Tadeu | Virginia Woolf - - Publicado na categoria Resenhas & Trechos em 26/03/2021


Virginia Woolf

Em 28 de março de 1941, morria Virginia Woolf. Como todas as escritoras, como todos os escritores, ela é uma vidente. Nos últimos anos de sua vida trabalhava num livro com o título provisório de Anon (abreviatura de Anônima/o). O trecho a seguir é extraído do rascunho desse livro (v. Brenda R. Silver, “Anon” and “The Reader”: Virginia Woolf’s Last Essays). Ela se refere aos ataques do início da Segunda Guerra:



“Está tudo extremamente sombrio. As ruas estão escuras. Voltou-se ao século dezoito. A natureza prevalece. […] É o prelúdio ao barbarismo. O centro da cidade se transformou num mero amontoado de prédios habitados por pessoas que trabalham. Não há nenhuma sociabilidade, nenhum requinte, não há ninguém flanando, passeando à toa. Tudo é sério e concentrado. É como se o canto tivesse parado – a melodia, o supérfluo, o voluntário. Estranho se isso devesse ser o fim da vida urbana.”

[Trad.: Tomaz Tadeu]


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