7 livros para entender a Segunda Guerra Mundial

Publicado na categoria Resenhas & Trechos em 27/09/2019


Em setembro de 1939, as tropas de Hitler invadiram a Polônia, descumprindo o Pacto de Varsóvia. Assim foi deflagrada a Segunda Guerra Mundial que se tornou o cenário de horrores até então inimagináveis e mudou para sempre os rumos da história. Seus desdobramentos ecoam até hoje. E o impacto dos governos fascistas e da Solução Final de Hitler ainda despertam o fascínio das pessoas.

Não é fácil entender como a humanidade pode ter chegado a esses extremos. Mas, para ajudar você a conhecer mais sobre este capítulo da nossa história, que teve início há exatos 80 anos, fizemos uma seleção de 7 livros indispensáveis sobre o assunto. Confira.

Não ficção

O Holocausto, de Laurence Rees (Vestígio)

O Holocausto, de Laurence Rees

Laurence Rees passou 25 anos entrevistando os sobreviventes do Holocausto e os responsáveis pelo Terceiro Reich e seus horrores. Nesta história arrebatadora, ele combina esses testemunhos com as pesquisas acadêmicas mais recentes para investigar o que tornou possível o maior crime da história.

Rees argumenta que, apesar de o ódio aos judeus estar no epicentro do pensamento nazista, não podemos entender o Holocausto por completo sem considerar seus planos de matarem também milhões de não judeus. Ele revela que não houve um roteiro específico para o Holocausto. Em vez disso, os acontecimentos foram se agravando, um após o outro, até culminar no horror completo. Apesar de Hitler ser o principal responsável pelo que aconteceu, a culpa é coletiva, Rees nos lembra, e os efeitos permanecem.

O Holocausto: Uma nova história é um relato acessível, mas rigoroso desse crime extremo. Com uma narrativa cronológica e intensa, esta é uma exposição categórica do momento mais sombrio da humanidade.

Os homens que salvavam livros, de David E. Fishman (Vestígio)

Os homens que salvavam livros, de David E. Fisher

Os homens que salvavam livros é a incrível história real dos habitantes do gueto de Vilna, na Lituânia, que resgataram milhares de livros e manuscritos raros da cultura judaica por duas vezes – primeiro das mãos dos nazistas, depois dos soviéticos. Tendo como base documentos judaicos, alemães e soviéticos, incluindo diários, cartas, memórias e entrevistas do autor com vários participantes da história, o livro registra as atividades ousadas de um grupo de poetas e eruditos que se tornaram combatentes e contrabandistas na cidade conhecida como a “Jerusalém da Lituânia”.

Partindo de uma extensa pesquisa do principal estudioso do gueto de Vilna, de estilo e ousadia excepcionais, Os homens que salvavam livros é uma história épica de heroísmo, um conto pouco conhecido dos dias mais sombrios da guerra.


Salvando a Mona Lisa, de Gerri Chanel (Vestígio)

Salvando a Mona Lisa, de Gerri Chanel

No final de agosto de 1939, quando a guerra ameaçava eclodir na Europa, os curadores do Louvre guardaram o quadro mais famoso do mundo em um estojo especial forrado com veludo vermelho e o enviaram ao Vale do Loire, cerca de 200 quilômetros ao sul de Paris.

Assim começou a maior retirada de obras de arte e antiguidades da história. À medida que os alemães se aproximavam da capital em 1940, os franceses se apressaram para despachar as obras-primas cada vez mais ao sul, durante a guerra, cruzando todo o sudoeste da França.

Durante a ocupação alemã, a equipe do Louvre lutou para manter tesouros inestimáveis longe das mãos de Hitler e seus seguidores e para manter o palácio do Louvre seguro, muitas vezes arriscando seus empregos e suas vidas para proteger a herança artística do país. Salvando a Mona Lisa é a história arrebatadora e cheia de suspense dessa batalha.

Resultado de uma pesquisa profunda e acompanhado por fotografias fascinantes daquele período, a obra é uma envolvente história real de arte e beleza, intriga e sagacidade, e de uma coragem moral notável em face de um dos inimigos mais aterrorizantes da história.

Recordando Anne Frank, de Miep Gies e Alison Leslie Gold (Gutenberg)

Recordando Anne Frank, de Miep Gies e Alison Leslie Gold

Para os milhões de leitores apaixonados pelo livro O Diário de Anne Frank, aqui está a surpreendente história de Miep Gies. Por mais de dois anos, Miep e seu marido ajudaram a esconder judeus dos nazistas. Como milhares de heróis desconhecidos do Holocausto, eles arriscaram suas vidas todos os dias para levar comida, notícias e apoio emocional às vítimas.

Neste livro, Miep Gies relembra seus dias com honestidade e sensível clareza. Ela narra desde sua infância sofrida como refugiada da Primeira Guerra Mundial até o momento em que coloca o pequeno diário xadrez de Anne Frank nas mãos de seu pai, Otto Frank. O diário ficou guardado com Miep por muitos anos e, graças a ela, ele pode ser publicado.

Recordando Anne Frank é uma história fascinante e verdadeira, em que cada página nos toca com coragem e delicadeza.

Filhos de nazistas, de Tania Crasnianski (Vestígio)

Filhos de nazistas, de Tania Crasnianski

Até 1945, seus pais eram considerados heróis. Depois da derrota alemã, ficou claro que eram carrascos. Gudrun, Edda, Niklas e os outros retratados neste livro são os filhos de Himmler, Göring, Hess, Frank, Bormann, Höss, Speer e Mengele, alguns dos principais responsáveis pelo horror nazista.

Crianças ou adolescentes durante a guerra, eles a viveram sob a proteção de seus pais afetuosos e poderosos. Para eles, a queda do Reich foi um verdadeiro choque de realidade. Inocentes, inconscientes dos crimes de seus pais, descobriram então toda a sua extensão. Alguns julgaram e condenaram. Outros continuaram reverenciando esses homens execrados por toda a humanidade.

Filhos de nazistas retrata a ascensão e o cotidiano, ao mesmo tempo extraordinário e banal, desses altos funcionários que realizavam diariamente seu trabalho de morte e depois conviviam com suas famílias, instaladas por vezes ao lado dos campos de concentração e extermínio. O livro descreve as existências singulares desses filhos ao se tornarem adultos: a queda, a miséria, a vergonha ou o isolamento.

Que laços eles mantiveram com seus pais? Como viver com um nome amaldiçoado pela História? Em que medida a responsabilidade pelos crimes é transmitida aos descendentes?

Ficção

A pele, de Curzio Malaparte (Autêntica)

A pele, de Curzio Malaparte

Nas ruas miseráveis de uma Nápoles em ruínas, quando o exército aliado expulsou dali os alemães, a libertação é apenas outra palavra para desespero. A prostituição é desenfreada. O cheiro da morte está em todo lugar. Tudo supervisionado por americanos que, na sua ingenuidade, não entendem exatamente por que estão ali.

Lançado em 1949, já em 1950 vieram as sanções: a “proibição moral de Curzio Malaparte” pelo Conselho Comunal de Nápoles e a inclusão do livro no Index dos livros proibidos pela Congregação do Santo Ofício. Em 1962, a publicação no Brasil se deu como celebração. Na apresentação daquela edição, diz Ênio Silveira: “Uma obra prima de violência, de crueldade, de degradação e, ao mesmo tempo, de louvor à condição humana”. Hoje são apontados, para além dos pecados originais, os da incorreção política.

O livro nasceu ambíguo como o próprio autor, que deixou resposta no personagem Jack Hamilton: “Não há qualquer importância se o que Malaparte conta é verdadeiro ou falso. A questão a ser posta é bem outra: se o que ele faz é arte ou não”.

Um banquete para Hitler, de V. S. Alexander (Gutenberg)

Um banquete para Hitler, de V. S. Alexander

No começo de 1943, esperava-se que jovens mulheres alemãs servissem seu país trabalhando para o Reich ou se casando e tendo filhos fortes e saudáveis. É nesse contexto que a jovem Magda Ritter, enviada pelos pais à Bavária para manter-se a salvo dos bombardeios aliados, é apontada para trabalhar na Berghof, o retiro nas montanhas de Hitler. Apenas depois de semanas de treinamento ela descobre qual será sua tarefa: provar a comida do Führer, se oferecendo em sacrifício para evitar que ele seja envenenado.

Apavorada a princípio, Magda gradualmente se acostuma ao seu perigoso trabalho. Mas seu romance com um conspirador infiltrado na SS e sua consciência cada vez maior das atrocidades do Reich lançam a jovem ao centro de uma trama que testará sua esperteza e sua lealdade.

Unindo a história e a ficção, Um banquete para Hitler mostra os extremos de privilégio e opressão sob a ditadura do Führer, expondo os dilemas morais da guerra em uma narrativa emocionante, cheia de atos de extraordinária coragem em busca de segurança, liberdade
e, finalmente, vingança.

Ainda existe muito a ser dito, e até mesmo descoberto, sobre tudo o que aconteceu na Europa e no mundo naqueles sombrios anos entre 1939 e 1945. Não é à toa que, mesmo oito décadas depois, continuamos debatendo e publicando sobre o assunto. Existe algum livro sobre a Segunda Guerra Mundial que você gostaria de ver no Brasil? Conte para nós nos comentários, para podermos aprofundar este debate!

Tags:  segunda guerra mundial,  banquete para Hitler,  nazismo,  holocausto,  Gutenberg


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