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Livro mostra que apoio das mulheres foi decisivo para a manutenção do fascismo

Mara: uma mulher que amava Mussolini mostra como o fascínio exercido pelo ditador levou 2,5 milhões de mulheres a se filiarem ao partido fascista, muitas delas em busca de liberdade

Com apenas 13 anos, Mara sabia que amava Mussolini. Acompanhada de Nadia, sua vizinha e melhor amiga, a jovem dedicava seu tempo a reverenciar o líder político italiano: fugia de casa para ver os discursos, escutava os pronunciamentos no rádio, colecionava fotos. Como muitas italianas no início do século XX, Mara foi seduzida pelo Duce e pela suposta autonomia que o regime fascista oferecia a elas. Esse sentimento não aconteceu por acaso: os atos públicos protagonizados por Benito Mussolini tinham o propósito de exercer fascínio, muitas vezes libidinoso, sobre a população. Haja vista a forma como era retratado em quadros ou fotografias, os grandiosos desfiles de moto dos quais participava, os passeios a cavalo ou as atividades esportivas.

Mara: uma mulher que amava Mussolini retrata como tudo isso ocorreu. Escrito pela jornalista italiana Ritanna Armeni, a obra será lançada no Brasil em fevereiro, pela Editora Vestígio (Grupo Autêntica), e deve dar sequência à bem-sucedida trajetória registrada desde sua publicação na Itália, em 2020. Segundo o jornalista Pierluigi Battista, do Corriere Della Sera, “o romance de Ritanna Armeni nos ensina a abandonar lugares-comuns e certezas estabelecidas”.

Contribui para este aspecto a forma escolhida pela autora para escrever o romance. Cada capítulo ficcional é sucedido por registros históricos, que contextualizam o leitor e mostram que o apoio incondicional das mulheres aos regimes totalitários mostrado no livro está longe de ser fruto de sua imaginação. “Sei e estou convencida de que existe uma história das mulheres que se entrelaça com a história geral dos povos, mas nunca coincide com ela. Muitas vezes, é esquecida, e temos de procurá-la, deixando de lado os lugares-comuns e as certezas construídas, não apagando, mas separando a história que nos ensinaram. Foi o que fiz, e acabei encontrando Mara”, explicou.

PROTAGONISMO FEMININO DURANTE O FASCISMO
Mara assume o protagonismo familiar quando perde subitamente o pai, aos 15 anos, e se vê obrigada a garantir o sustento da mãe e dos irmãos. Ela consegue uma vaga como datilógrafa no Ministério da Educação Nacional por indicação de Luisa, tia por quem nutria profunda admiração. Sempre elegante, casada com um importante engenheiro, Luisa tinha forte envolvimento político, circulava em eventos públicos e era respeitada por suas ideias.

Parte do apoio feminino ao regime foi motivado pelo sentimento de liberdade. Os registros históricos trazidos pela autora mostram que este ideal foi estimulado pelo partido fascista, que começou a incentivar a formação de organizações femininas em 1921, um ano antes de Mussolini chegar ao poder, resultando em uma adesão que cresceu ano a ano.

Em 1927, mais de 50 mil mulheres estavam inscritas; em 1937, ultrapassaram 1,2 milhão, até atingirem cerca de 2,5 milhões de partidárias em 1943. Apesar do incentivo à sua participação, os dirigentes do partido fascista, na verdade, limitavam o papel das mulheres, tornando a palavra autonomia inalcançável durante o regime. Aquelas que se tornaram adeptas em busca de uma migalha de liberdade foram sempre derrotadas.

ECOS FASCISTAS
Paralelo interessante é encontrado ainda nos dias de hoje. Além de executarem atos semelhantes aos ocorridos no passado (vide as motociatas promovidas por Jair Bolsonaro) e os discursos em prol da liberdade proferidos por ele e pares como o ex-presidente Donald Trump (exemplo mais recente é “liberdade” de não tomar a vacina contra a Covid-19), estes líderes estimulam em sua base de eleitores a ideia de que representam a defesa do que é correto (família, religião, bons costumes), fortalecendo o ideal do mito construída pelos fascistas de outrora.

SOBRE A AUTORA
Jornalista profissional desde 1976, Ritanna Armeni tem uma vida dedicada à defesa de causas sociais, especialmente em relação às mulheres. Tem atuado como colaboradora em importantes veículos de comunicação da Itália, como o jornal Corriere dela Sera, as revistas Il mondo e Rocca, e programas de rádio e de TV dos canais RAI, La7 e RED TV. Também tem fomentado o nascimento de novos periódicos. Além disso, foi assessora de importantes políticos italianos, como o presidente da Câmara dos Deputados Fausto Bertinotti. Já lançou 14 livros, com obras traduzidas em espanhol, russo e português.

Para mais informações, entre em contato com nossa assessoria de comunicação pelo e-mail ou pelo telefone (31) 3465-4500 (ramal 207).

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