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Lourenço Cazarré

Nada é mais difícil, para um escritor, do que tentar escrever uma autobiografia, mesmo que resumida.

A inclinação natural para a mentira e para o exagero dos contadores de histórias é algo que só se aprofunda com o passar do tempo.

Eu, por exemplo, me sinto inclinado a dizer que nasci na Rússia, no século XIX, e que fui amigo de três sujeitos: o conde Leão Tolstói, o doutor Antônio Tchecov e aquele cara esquisito que tinha um sobrenome ainda mais estranho: Gogol.

Mas dizem que nasci em Pelotas, em 1953. Não garanto. Nada lembro do meu parto. Mas me recordo de ter passado a infância em Bagé. Guardo a lembrança de uma ladeira, de um arroio de águas geladas e de um vento que assobiava nos meus ouvidos. Aos dez anos, voltei para Pelotas. Fui morar com meus avós paternos. O velho Leovegildo, policial militar reformado, vivia contando causos dos tempos em que fora cabo columbófilo (encarregado de treinar os pombos-correios que naquela época eram usados na comunicação entre os quartéis da Brigada Militar). Dele herdei a inclinação à lorota.

Cursei o ginásio na Escola Técnica Federal de Pelotas. Em 1968, formei-me rádio-técnico com a nota mínima porque, no final do curso, quase não consegui montar uma galena (rádio primitivo construído com meia dúzia de peças). Em 1975, formei-me em jornalismo, arranjei um emprego numa empresa de comunicação e passei a ganhar um salário para fazer algo que, com prazer, eu faria de graça: ler e escrever.

Desde 1985 escrevo livros para jovens. Na verdade, escrevo livros que talvez fossem apreciados por aquele garoto que fui aos doze, treze anos, o garoto que devorou impiedosamente todos os livros da seção infantil da Biblioteca Pública de Pelotas. Tento escrever histórias movimentadas, às vezes divertidas, às vezes tristes, que segurem a atenção volátil dos jovens leitores. Ou seja, tento desesperadamente fugir da chatice.

Bem, pra encerrar, como não sou de ferro, faço meu comercial. Nadando Contra a Morte (Formato Editorial), uma das minhas novelas para jovens, recebeu o Prêmio Jabuti, em 1998. Em 2002, recebi o Prêmio Açorianos, da Prefeitura de Porto Alegre, pelo melhor livro de contos – Ilhados (Saraiva) – publicado no Rio Grande do Sul em 200l. A revista Veja considerou o meu Clube dos Leitores de Histórias Tristes o melhor livro lançado em 2005 para jovens leitores de dez a doze anos. Tanto Nadando Contra a Morte quanto A Cidade dos Ratos – Uma Ópera Roque (também publicada pela Formato) foram considerados Altamente Recomendáveis para Jovens, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
Minha novela Isso Não É um Filme Americano, que recebeu menção honrosa no concurso João-de-Barro da Biblioteca Municipal de Belo Horizonte, em 2002, foi lançado no mesmo ano pela editora Ática.

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