Nós 4
de João Anzanello Carrascoza, Vivina de Assis Viana, Ilustrações: Christiane Costa .

Sinopse

Dois jovens apaixonados trocam mensagens à distância; dois autores talentosos escrevem um livro por e-mail, a quatro mãos

Este livro é composto por duas trocas de correspondência independentes (porém ligadas) entre dois pares de amigos. De um lado, Juju e Rafa, personagens, vizinhos em São Paulo, dois jovens que se gostam e são muito próximos, até que a mudança da família de Rafa para os Estados Unidos os separa, obrigando-os a manter contato por e-mails. Na troca de mensagens, os dois relatam suas experiências, expõem suas ideias sobre a vida e mostram todo o afeto que os une, mesmo à distância. Do outro lado, Vivina e João, os autores do livro, que escreveram a história juntos, por e-mail, e trocam mensagens sobre a elaboração do texto. No projeto gráfico, é como se o livro começasse dos dois lados. A correspondência entre Juju e Rafa começa de um lado do livro, enquanto a correspondência entre Vivina e João começa do outro lado, o que faz com que as duas trocas de mensagens terminem no mesmo ponto, ou seja, no meio do livro – que tem duas capas.


Total de páginas: 144 Formato: 13,5 x 20,5 cm Acabamento: Brochura ISBN: 9788551304273 Código: 0119L20602 Autêntica Edição: 2


Material Audiovisual PNLD LITERÁRIO 2020

Autoria

João Anzanello Carrascoza

Muitas vezes, a gente só se dá conta das coisas quando elas já passaram.
E passaram definitivamente. Difícil perceber as coisas acontecendo e apreendê-las quando ainda estão à nossa mão. (Ainda bem que o Rafa, logo que chegou em Athens, resolveu escrever e se declarar para a Juju.) Foi por isso que me tornei escritor. Contar uma história, para mim, é uma tentativa de apreender o instante vivido, não deixar que ele passe sem sentir plenamente a sua presença.

Escrevi muitas obras para crianças, jovens e adultos. Acho que não há idade para se ler um livro: toda história traz um rio dentro dela – nem sempre tão grande quanto o Mississippi –, e cada leitor apanha a água que cabe em suas mãos. O volume do silêncio, O homem que lia as pessoas, O aprendiz de inventor, A vida naquela hora, Amores mínimos e Aquela água toda são alguns de meus livros.

Comecei a escrever aos 17 anos, quando me mudei de Cravinhos, cidadezinha do interior paulista onde nasci, para São Paulo, onde fui estudar Comunicação Social e onde vivo até hoje. Trabalhei como redator de publicidade durante muitos anos e sou, há tempos, professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e da Escola Superior de Propaganda e Marketing.

Tenho conhecido pessoas singulares, como a Vivina – eu estava atento quando a conheci, assim ela não passou pela minha vida, ela segue presente em mim. Com a Vivina, tive a alegria de escrever esta história. Dupla história, aliás. Espero que você tenha gostado e que as duas sigam juntas na sua memória.

Vivina de Assis Viana

Nasci em uma fazenda com nome de bicho (Jacaré, em Morro do Ferro, Minas) e não me lembro dos passarinhos de lá. Nem da mudança, dois anos depois, a família a cavalo, móveis, roupas e panelas em carros de boi.
A nova fazenda tinha nome de santo (Santa Luzia, em São Tiago, Minas também), e foi lá que cresci, aprendendo, com meu pai, minha mãe e meus irmãos, os nomes, as caras e os cantos de sei lá quantos passarinhos. Beija-flor, canarinho, pintassilgo, sabiá, saracura, chororó, joão-de-barro, sofrê, tiziu, andorinha, rolinha, bem-te-vi, birro, gaturamo, tico-tico, quantos?
Muitos anos depois, mais de quarenta, foi a vez de meu filho mais novo, Fabiano, que passava férias com os irmãos na casa da avó, aprender os nomes, as caras e os cantos de sei lá quantos passarinhos. Seu professor era o Prego, que também entendia de arapucas.
Um dia, depois de sumidos um bom tempo por currais e quintais, os dois apareceram com um tico-tico.
Terminadas as férias, o Prego ficou na fazenda cuidando das vacas, e nós voltamos pra São Paulo, onde moro e trabalho, desde que terminei o curso de Letras, na UFMG (Belo Horizonte). O tico-tico também veio.
Muitas vezes, vi o Fabiano conversando com ele. Falava, calava, esperava, falava de novo. Acho que o tico-tico respondia, mas não tenho certeza. E se eu chegasse muito perto e atrapalhasse?

Ilustração

Christiane Costa

Nasceu em 1983, em Belo Horizonte, onde vive e trabalha. É designer gráfico, formada pela UEMG, e artista gráfica, formada pela UFMG. Trabalha na área editorial como designer há alguns anos.