Textos de Walter Benjamin revelam transformações fundamentais na obra do filósofo

15/05/2013 — Assessoria de Comunicação - Pluricom

Walter Benjamin (1892-1940) foi um dos mais importantes pensadores alemães do século XX. Sua vasta produção intelectual é referência para diversas áreas do pensamento contemporâneo, especialmente seus estudos sobre mito, linguagem, alegoria e suas reflexões sobre literatura, arte, sociedade e filosofia da história. Benjamin abordou tais temas a partir de diversos ângulos, muitas vezes interrogando o próprio estatuto da linguagem filosófica, conceitual e argumentativa, fazendo entrar nela aquilo que não cabia no conceito. Por isso, seu estilo ensaístico se vale de procedimentos que o aproxima da literatura e da poesia. Nos dois livros deste volume, Rua de mão única e Infância berlinense: 1900, agora lançados pela Autêntica Editora, com tradução de João Barrento, Benjamin leva essa experiência a limites nunca antes experimentados.

Rua de mão única – Infância berlinense: 1900 apresenta textos que marcaram uma transformação na produção de Walter Benjamin, pelo fato de que o filósofo passou, a partir dessas obras, a analisar seus temas e objetos de estudo sob a perspectiva das grandes cidades modernas e da rememoração, dando início a um ambicioso projeto de elaborar uma filosofia da história centrada na crítica dos fetiches e mitos específicos da cultura capitalista.

O primeiro texto do livro, Rua de mão única, traz uma coletânea de aforismos e fragmentos em que Benjamin parte de temas pouco convencionais num livro de filosofia, como sonhos pessoais, cartazes, monumentos, praças, galerias, entre outros. O filósofo cria, nessa obra, uma filosofia a partir de observações sobre as ruas da cidade e sobre os caminhos da lembrança e do pensamento. Rua de mão única é um “bazar filosófico”, como ponderou certa vez o filósofo e amigo Ernst Bloch.

Em Infância berlinense: 1900, Walter Benjamin apresenta reminiscências de sua infância em Berlim e questiona suas próprias “lembranças encobridoras”, como disse certa vez Freud. Ele transforma suas memórias infantis em objeto de análise histórico-social, enfatizando duas coisas não muito típicas em livros de memórias: o quadro político da memória (em que “eu” são “muitos”) e a construção das lembranças a posteriori (é o ato de lembrar que dá sentido ao passado, e não o contrário).

O livro integra a Coleção Filô, série FILÔBENJAMIN, elaborada para publicar uma série de obras do pensador alemão. A série já conta com duas grande obras de Walter Benjamin: Origem do drama trágico alemão, tese de livre-docência do filósofo, que oferece uma chave interpretativa para o drama trágico alemão e fornece uma espécie de epistemologia do ensaio, estilo que marcou o método e o estilo de Benjamin; e O anjo da história, que apresenta um compilado de dez ensaios com reflexões referentes a diversos temas, como sociedade, política, o conceito de história e sua filosofia, o vigor do materialismo histórico, uma necessária revisão da tradição, o uso do poder como forma de violência, a luta de classes, o fascismo, entre outros. A próxima obra da série, prevista ainda para 2013, é Imagens de pensamento – Sobre o haxixe e outras drogas.

Sobre o autor – Filósofo, ensaísta, crítico literário e tradutor, Walter Benjamin escreveu peças para rádio, além de artigos para diversos jornais e revistas literárias. Colaborou com a Zeitschrift für Sozialforschung, revista do Instituto de Pesquisa Social (que mais tarde ficou conhecido como “Escola de Frankfurt”). Alemão, filho de judeus, precisou deixar seu país em 1933, rumo à Paris, onde ficou até a invasão nazista. Em 1940, fugiu ilegalmente para a Espanha e, na cidade de Portbou, Catalunha, se suicidou para não ser capturado pela Gestapo. Walter Benjamin deixou vasta e brilhante obra literária, além de ter contribuído enormemente com a teoria estética, a filosofia, o pensamento político e a história.

Sobre o tradutor – João Barrento licenciou-se em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1964) e em 1986 tornou-se professor de Literatura Alemã e Comparada. Já publicou cerca de vinte livros de ensaio, crítica literária e crônica, traduziu assim como editou diversas obras da literatura alemã da Idade Média à atualidade. Como editor e tradutor, é responsável por algumas das mais importantes publicações de autores alemães para o português, com destaque para Goethe (9 volumes, 1991-1993), Robert Musil (8 volumes, desde 2005) e Walter Benjamin (7 volumes, desde 2004). Suas traduções lhe renderam diversos prêmios, como Calouste Gulbenkian da Academia das Ciências (Tradução de Poesia, 1979); Grande Prêmio de Tradução (1993 e 1999); Prêmio de Tradução Científica e Técnica da União Latina (2005); Prêmio de Tradução do Ministério da Cultura da Áustria (2010); além da Cruz de Mérito Alemã (1991) e da Medalha Goethe (1998), entre outros. Para a Autêntica Editora, traduziu O anjo da história e Origem do drama trágico alemão, de Walter Benjamin, e Ideia da prosa, de Giorgio Agamben.

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