"O pai, o filho e a educação da televisão" por Cláudio Magalhães

23/11/2007 — Assessoria de Comunicação

Pedem, de vez em quando, a minha opinião sobre a responsabilidade da televisão na educação das crianças. Morro de medo disso. Não sei inteiramente a resposta. Não estou dentro dos 40 milhões de lares para saber como cada um trata aquele eletrodoméstico. Será que é com reverência e, portanto, referência? Ou desdém? É para uso só ou socializado com a família? As crianças vêem para não ir à rua ou para não jogar amarelinha ou futebol? Como os pais tratam o tal aparelho? Impõem regras como na geladeira e no fogão? Confundem ao dizer que é uma coisa do demônio enquanto adoram as novelas, os telejornais e os programas de auditório? Ou assistem juntos, se divertindo de forma barata e descompromissada? Sei lá, fico pensando que não existe uma criança e uma televisão. Como na escola, embora dê para padronizar uma pá de coisa, cada caso é um caso.
Falando nisso, também não sei mais como as escolas tratam a televisão. Antes a TV era a grande adversária das escolas, destruindo suas mentes inocentes, competindo em desigualdade com o quadro negro. Hoje toda escola tem TV, várias professoras tratam dela em sala de aula. Mas quantas e em que tom e ritmo? A TV que é ruim ou boa? E o que a criança faz com o que a escola diz sobre a TV? Vai contra – porque foi o que a escola disse – ou vai de encontro, pelo mesmo motivo?
Bom, eu não tenho todas essas respostas e as que tenho não cabem neste espaço . Daí, pensei em contar uma pequena história ilustrativa. Espero que gostem:
– Pai?
– Hum?
– Quando acaba o jogo?
– Tá no intervalo. Aliás, onde você tava? Tá perdendo um jogão! Perdeu o gol do Betão. Atropelou a defesa, enfrentou o joelho do goleiro (que fez de maldade!) e marcou um golaço. Sujeito meio maluco, esse Betão. É um malandrão, mas gente boa (às vezes)!
– Que nem o Piccolo e o Vegeta?
– Quem?
– Do Dragon Ball Z!
– ?
– Da televisão, pai!
– Humf, você e essas bobagens de desenho animado. Já falei com a sua mãe para colocar limites! Suas notas na escola não andam lá essas coisas, né?
– Que isso, pai! Tirei um dez na prova de história!
– Peraí que já vai começar o jogo! Senta aqui, assiste com o papai!
– Ah, pai, eu queria ver o Dragon Ball!!
– Já falei que esses desenhos são muito violentos para as crianças… Pênalti! Ladrão, juiz safado, &*#@%!
– Calma, pai! Aí, lá vai eu de novo buscar o controle na cozinha! Até hoje mamãe acha que fui eu quem quebrou o jarro!
– Tá bom, filhão. Vamos ver o jogo!
– Pai?
– Hum!
– Eu posso ficar até mais tarde vendo TV? A reprise do Dragon Ball!
– Já disse que não. Você vai atrasar para a escola. E tem uns programas que não é para criança ver!
– Ah, já sei! Aqueles que você assiste, de mulher pelada, quando a mamãe viaja e…
– Shhh! Fala baixo! Olha, eu deixo você assistir o tal tilenol…
– É Dragon Ball, pai!
– Tá bom, mas não comenta nada com sua mãe, ta? É um segredo nosso. Olha o jogo!
– Pai?
– Oi?
– A professora deu um trabalho sobre meio ambiente. Amanhã vai passar um programa na televisão. Você assiste comigo?
– Ô, filhão, amanhã é dia do papai jogar bola com os amigos. Você não quer ir?
– Nem, pai, o trabalho…
– Goooollllll! Vem cá dá um abraço, campeão!
– Pai, e se gravar o programa…
– Que programa, filhão?
– O de meio ambiente, pai!
– Ah, eu nem sei mexer no vídeo…
– Mas eu sei, pai!
– Tá, filhão… olha, faz uma coisa.
– O quê, pai!
– Vai lá falar com a sua mãe que ela resolve.

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