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O livro The dreamkeepers: successful teachers of African-American children ganha tradução brasileira pela Autêntica

28/02/2008 — Andréia Vitório - Assessoria de Comunicação

Autora: Gloria Ladson-Billings
Tradutora:Cristina Antunes

Prefácio

Nenhum desafio tem sido mais intimidante que o de melhorar a realização acadêmica de alunos afro-americanos. A busca pela educação de qualidade permanece um sonho vago para a comunidade afro-americana, oprimida por uma história que inclui a negação da educação, o ensino separado e desigual e o banimento para escolas inseguras e precárias na zona central da cidade. No entanto, persiste um sonho – talvez o mais poderoso para o povo de origem africana nesse país.
O poder e a persistência da metáfora do sonho têm definido a permanência dos afro-americanos nos Estados Unidos. Das palavras da Bíblia à poesia de Langston Hughes e a oratória de Martin Luther King Jr., a luta dos afro-americanos contra todas as desigualdades tem sido estimulada pela perseguição de um sonho.
A educação e o acesso à escolarização têm sido privilégios acalentados entre os afro-americanos, por serem vistos como a rota mais direta para a realização do sonho. Aos escravos não era permitido aprender a ler ou receber educação, e isso tem enfatizado a possibilidade e o poder da educação para a libertação. A crônica do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos ilustra a educação como o ponto central para a luta dos afro-americanos por oportunidades iguais e cidadania plena. Desse modo, a Escola Secundária Central de Little Rock, Arkansas; a Universidade do Mississipi; a Universidade do Alabama; as escolas públicas de Boston, Brownsville e New York, todas simbolizam a disposição dos afro-americanos em sacrificarem tudo pela causa da educação.
Atualmente, porém, os afro-americanos se acham em uma curva descendente. Os estudantes afro-americanos ficam muito atrás dos seus colegas brancos nas avaliações de rendimento acadêmico padrão. Ao mesmo tempo, a própria sociedade – que sofreu uma revolução dos direitos civis – acha-se presa pelas forças do racismo e discriminação. Quase quarenta anos depois da decisão da Suprema Corte tornando ilegais escolas separadas mesmo que igualitárias, a maioria dos estudantes afro-americanos ainda freqüenta escolas que, na realidade, são segregadas e desiguais.
Todavia, Os guardiões de sonhos não trata da falta de esperança. Mais exatamente, é sobre manter o sonho vivo. O valor deste livro pode ser encontrado na constante transformação demográfica das escolas públicas de nossa nação. As crianças de cor constituem uma porcentagem crescente dos nossos estudantes. Representam 30% da população escolar de nossas escolas públicas. Nos vinte maiores distritos escolares, perfazem mais de 70% do número total de matrículas. Em oposição, o número de professores de cor, especialmente afro-americanos, é diminuto. Os professores afro-americanos representam menos de 5% do total da população de professores das escolas públicas. Além disso, muitos professores – tanto brancos, como negros – sentem-se mal preparados para, ou incapazes de, enfrentar as necessidades educacionais dos alunos afro-americanos.
Com base no estudo de um grupo de excelentes professores, este livro fornece exemplos de ensino eficaz para alunos afro-americanos. Mais que uma prescrição ou uma receita, oferece aos leitores modelos para o aperfeiçoamento da prática e desenvolvimento de teoria fundamentada, através do olhar sobre as intelectualmente exigentes e instigantes salas de aula desses professores, em um distrito escolar de baixa renda, predominantemente afro-americano.
Escrevi este livro em três vozes: a de um intelectual e pesquisador; a de um professor afro-americano; e a de uma mulher afro-americana, mãe e membro da comunidade. Desse modo, o livro oferece um misto de erudição e relato – da pesquisa qualitativa e da vida real. Confio, decisivamente, no “relato” como um meio de transmitir a excelente prática pedagógica dos professores estudados. Em campos como leis, educação, estudos étnicos e estudos feministas, cada vez mais o relato vem ganhando crédito, como uma metodologia apropriada para a transmissão da riqueza e complexidade do fenômeno cultural e social. Assim, o público para este livro pode ser amplo e variado.
O livro é ao mesmo tempo reflexivo e empírico. No seu núcleo está a história da prática pedagógica de oito professores exemplares. No entanto, minhas próprias experiências como aluna afro-americana que passou pelo ensino público com êxito, funcionam como um pano de fundo para minha compreensão daquela prática. O que existia na minha vida escolar que me permitiu perseverar e vencer? Não estou deixando de lado o fato de que minha escolarização se deu em uma época diferente e talvez mais simples. Ainda guardo vívidas lembranças do modo como a escolarização me afetou tanto positivamente, como negativamente, e essas memórias me ajudam a ver e compreender as práticas nas salas de aula atuais.
Quebrei, no mínimo, duas convenções científicas por causa da minha decisão de escrever dessa forma. Primeiro, reduzi a primazia da “objetividade”, já que escrevo ao mesmo tempo sobre minha própria vida e memórias como estudante afro-americana, e sobre as vidas e experiências desse grupo de professores eficientes. Em segundo lugar, escrevo em um estilo que pode ser considerado metodologicamente “desarrumado”, quando discuto questões tanto ao nível da sala de aula quanto ao nível da escola. Faço isso porque esta é uma oportunidade de reforçar a fluidez e o vínculo entre o indivíduo e o grupo, no qual professores e alunos trabalham.
Poderia ter escolhido escrever este livro nos moldes da tradição científica dominante: enunciado do problema, revisão da literatura, metodologia, levantamento de dados, análise, e implicações para pesquisa ulterior. De fato, é para isso que fui treinada. Mas aquela tradição rejeita minha indispensável subjetividade. Assim, escolhi integrar minhas ferramentas “científicas” com meu conhecimento da minha cultura e minhas experiências pessoais.
Formadores de professores multiculturais considerarão este livro um útil complemento à literatura sobre questões curriculares e educacionais relacionadas aos alunos afro-americanos. Professores atuantes e professores em formação terão uma oportunidade de criar estratégias e técnicas apropriadas para suas próprias salas de aula, com base naquelas que são mostradas neste livro. Pais e membros da comunidade serão capazes de usar o livro como um “tema de discussão” para ajudar a esboçar a redefinição de escolas comunitárias que melhor se adaptem às necessidades de seus alunos.
No entanto, reafirmo, o livro não é uma prescrição. Não contém listas de coisas que devem ser feitas a fim de se alcançar um ensino eficaz para alunos afro-americanos. Ainda que para mim fosse tentador fazer exatamente isso, meu trabalho neste livro me convenceu de que se o fizesse, seria profissionalmente desonesta. Sou comprometida com a crença de que, do mesmo modo que esperamos que as crianças infiram grandes lições de vida das histórias que contamos a elas, nós, como adultos, podemos construir nosso próprio juízo desses relatos dos professores sobre eles mesmos e sobre seu magistério.
Escrevi este livro não para oferecer uma solução a problemas de educação de afro-americanos, mas para oferecer uma oportunidade de promover esses problemas ao centro do debate sobre educação em geral. De acordo com o atual pensamento de políticas públicas, este livro afirma que a maneira como um problema é definido molda o universo de ações públicas razoáveis. Dada a nossa limitada capacidade de tratar de cada problema que afeta a sociedade, a formulação do problema adquire maiores dimensões. Desse modo, um problema específico, como a educação, não pode se sustentar sozinho; de preferência deve estar vinculado a questões mais amplas, como defesa nacional, competitividade econômica, ou crime. Neste livro, tentei reformular o que tem sido considerado como o problema do ensino de afro-americanos dentro da promessa de uma prática bem sucedida, e o problema de nossa incapacidade de refletir em como podemos aprender com esse sucesso.
Este livro discute a idéia de ensino culturalmente relevante e seus inerentes conceitos de professor e outros; de interações sociais das salas de aula; da alfabetização e ensino da matemática; e do conhecimento em si mesmo. Além disso, o livro examina as implicações do ensino culturalmente relevante para a formação dos alunos afro-americanos e de professores.

Para mais informações, entre em contato com nossa assessoria de comunicação pelo e-mail ou pelo telefone (31) 3465-4500 (ramal 207).

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