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Magda Soares prefacia lançamento da Autêntica sobre gêneros textuais

05/05/2008 — Por Magda Soares

Neste momento de mudança de paradigma que atualmente domina o ensino do Português em nosso país, é extremamente oportuna e valiosa a contribuição que Sérgio Roberto Costa oferece aos professores e aos formadores de professores com a publicação deste Dicionário de gêneros textuais, exaustiva compilação e criteriosa caracterização de gêneros, feitas com a precisão e a clareza que só um competente pesquisador na área da Lingüística Aplicada e um experiente professor e formador de professores poderia produzir.

Contribuição extremamente oportuna e valiosa porque, no quadro daquilo que aqui estou denominando “mudança de paradigma” no ensino do Português, embora estejam presentes outros elementos além da recente inclusão do conceito de gênero, esse conceito é, sem dúvida, um dos componentes essenciais dos novos pressupostos teóricos, e dos princípios pedagógicos deles decorrentes, que, nas últimas décadas, vêm reformulando e reconfigurando o ensino não só do Português em nosso país, mas, mais amplamente, das línguas maternas em vários países do mundo ocidental. Entretanto, embora componente essencial dos novos pressupostos teóricos e decorrentes princípios pedagógicos do ensino da língua, é conceito ainda pouco compreendido e ainda mal assimilado por professores e formuladores de currículos e programas para o ensino da língua.

São duas as principais causas da recente mudança de paradigma no ensino do português no Brasil. A primeira delas é o desenvolvimento, a partir sobretudo da segunda metade do século passado, das ciências lingüísticas, que enfim dotaram o ensino da língua de fundamentos teóricos e substrato científico; a segunda, contemporânea da primeira, é a democratização do ensino, que enfim deu às camadas populares pleno acesso à escola e à educação formal. Os principais elos entre a primeira e a segunda causa são a Sociolingüística e a Teoria dos Gêneros.

Por um lado, a Sociolingüística obrigou ao acolhimento, no ensino da língua, das variedades lingüísticas, tanto como objeto de estudo quanto, e certamente mais importante, como denúncia e controle de manifestações de preconceitos lingüísticos contra os alunos provenientes de contextos sociais, culturais e lingüísticos diferentes dos contextos das camadas média e alta da população de que provinham, quase exclusivamente, os alunos, antes da democratização do ensino. Os estudos e as pesquisas sobre dialetos, variantes e registros vieram esclarecer o real papel e a real função do ensino da norma culta, reformular o conceito de “erro”, relativizar os critérios de aceitação de modalidades de expressão oral e escrita.

Por outro lado, a Teoria dos Gêneros, no quadro da Teoria do Discurso, trouxe para o ensino da língua o reconhecimento e a prática de gêneros textuais e/ou discursivos, que vieram acrescentar-se aos tipos textuais, até então dominantes na leitura e na escrita escolares: punha-se o foco na natureza lingüística de segmentos textuais – descrição, narração, dissertação, argumentação –, ignorando-se aquilo que verdadeiramente institui e constitui o texto: os aspectos sócio-históricos e interativos que definem seu funcionamento e resultam de seu contexto de produção e recepção, ou seja: ignorando-se o gênero do texto. Acolhendo o conceito de textos como representando gêneros, e não apenas tipos, o ensino da língua materna passa a reconhecer e desenvolver diferentes práticas discursivas – aos gêneros literários, únicos admitidos até então nas salas de aula, e aos gêneros de circulação exclusivamente escolar, acrescentam-se aqueles muitos outros gêneros pertencentes a outros domínios discursivos, gêneros que circulam nas práticas sociais fora das paredes da escola.

No entanto, como sempre ocorre em momentos de mudança de paradigma pela emergência de novos conceitos e, conseqüentemente, exigência de novos comportamentos, problemas e dificuldades se interpõem.
Em relação aos novos conceitos e, sobretudo, aos novos comportamentos decorrentes da contribuição da Sociolingüística, problemas e dificuldades têm sido de difícil solução, porque enfrenta-se a resistência ao reconhecimento da legitimidade das variedades lingüísticas – resistência não propriamente lingüística, mas essencialmente ideológica e política, calcada em séculos de uma concepção elitista da língua e de seu uso.

Em relação aos novos conceitos trazidos pela teoria dos gêneros para o ensino da língua, problemas e dificuldades são de outra natureza (e de mais fácil enfrentamento); são dúvidas teóricas e pragmáticas provenientes da ainda precária socialização, entre os professores, da Teoria dos Gêneros, que vem sendo construída e difundida, entre nós, muito recentemente: a quase totalidade da produção brasileira sobre gêneros surge a partir da metade dos anos 90 do século passado. Assim, embora o conceito e a prática de gêneros textuais e discursivos venham sendo incluídos em diretrizes curriculares e programas de ensino, é ainda uma lacuna na formação dos professores a compreensão desse conceito e a orientação para o trabalho adequado com gêneros no ensino da língua. Vêm daí as mencionadas dúvidas teóricas e pragmáticas: O que é gênero? Quantos e quais são os gêneros? Com que gêneros se deve trabalhar no ensino de Português? Como ensinar tomando como diretriz os gêneros?

E aqui volto à minha afirmação inicial: é no quadro atual de mudança paradigmática no ensino do português, acima rapidamente esboçado, que a produção, por Sérgio Roberto Costa, deste Dicionário de Gêneros textuais se revela extremamente oportuna e valiosa. Pesquisador em Lingüística Aplicada e professor de Língua Portuguesa, Sérgio Roberto, combinando precisão analítica e comprometimento pedagógico, constrói um dicionário que é, ao mesmo tempo, um estudo sério e exaustivo de gêneros e um instrumento fundamental para o ensino. Na Introdução, de forma clara, equilibrada e didática, esclarece conceitos e analisa classificações de gêneros; nos verbetes, registra quase 600 gêneros, caracterizados, exemplificados, incluindo desde os gêneros mais corriqueiros até os mais sofisticados, desde os mais “tradicionais” até os mais recentes e inovadores – aqueles muitos que vêm surgindo com as novas tecnologias e que ele precursoramente analisa com amplitude e profundidade. Oferece, assim, aos professores uma obra de referência fundamental para a utilização competente de gêneros, tanto orais quanto escritos, como objeto e objetivo essenciais no ensino da língua. Oportuna e valiosa contribuição – fruto (tão raro!) do compromisso de um pesquisador e professor universitário com a educação e o ensino.

Para mais informações, entre em contato com nossa assessoria de comunicação pelo e-mail ou pelo telefone (31) 3465-4500 (ramal 207).

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