Coletânea analisa as conexões lacanianas entre psicanálise e arte

29/10/2012 — Assessoria de Comunicação - Pluricom

Lacan se interessou por todos os campos do saber e, em contrapartida, exerceu importante influência sobre as mais variadas esferas da cultura. As ideias do psicanalista francês sobre as relações entre psicanálise e arte são profundamente analisadas em Lacan, o escrito, a imagem, lançamento da Editora Autêntica que apresenta um compilado de cinco artigos produzidos por François Cheng, François Regnault, Gérard Wajcman, Jacques Aubert e Jean-Claude Milner. Com tradução da psicanalista e doutora em literatura Yolanda Vilela, a coletânea é precedida por um circunstanciado prefácio à edição brasileira, assinado pela tradutora e pelo filósofo e psicanalista Gilson Iannini.

“Os poetas e escritores estão bem à frente de nós, gente comum, no conhecimento da mente, já que se nutrem em fontes que ainda não tornamos acessíveis à ciência”. Esta frase de Freud mostra com clareza que ele via com alguma reserva o ideal científico da psicanálise. Para um melhor “conhecimento da mente” ele encaminha o interessado aos poetas, ao artistas, e não apenas aos cientistas. O pensamento freudiano em relação à obra de arte é, entretanto, ambíguo. Se de um lado a psicanálise pode ser aplicada ao texto literário, por outro lado a literatura não poderia produzir todo o conhecimento possível sobre a mente.

Por sua vez, Lacan atribui à arte e à literatura o estatuto de intérprete, em que o artista precede o psicanalista. Ao invés de “aplicar” a psicanálise à arte, é a arte quem “interpreta” a psicanálise. Reconhecendo também a insuficiência da linguística, ciência da linguagem, e que a descoberta do inconsciente requer um mergulho nas águas da linguagem, Lacan inventa sua “linguisteria”, que se dedica a definir o sujeito em relação ao significante, recorrendo também à literatura, ao poema e até mesmo ao ideograma e à poesia chinesa.

A fim de analisar as teses de Lacan, a obra conta com textos de dois amigos que o guiaram pelos desvios abissais do universo joyciano e do pensamento chinês, Jacques Aubert, que assina De um Joyce a outro, e François Cheng, autor do texto Lacan e o pensamento chinês, passando por eminentes interlocutores de seus seminários, Jean-Claude Milner e François Regnault autores de Da linguística à linguisteria e Claudel: o amor do poeta, respectivamente, até Gérard Wajcman, que apesar de não ter sido tão próximo de Lacan como os outros autores, oferece em seu texto A arte, a psicanálise, o século uma leitura singular da arte produzida no século XX.

Aqui, a psicanálise deixa-se interpretar pela obra do artista, seja ele Joyce, Claudel ou a poesia chinesa, na medida em que a obra de arte é uma interpretação do inconsciente. Sincrônica à arte do século XX, a psicanálise lacaniana faz entrar o irrepresentável na representação, o impensável no pensamento, a ausência na presença.

Sobre os autoresJacques Aubert é escritor e ensaísta especializado em James Joyce. Traduziu Ulysses para o francês. É professor emérito da Universidade Lumière-Lyon II. Publicou, entre outros, The Aesthetics of James Joyce.

François Cheng é poeta, tradutor, romancista e ensaísta. Agraciado com importantes prêmios literários, como o Prix André Malraux, Prix Roger Caillois e o Grand Prix de la Francophonie. Professor do Institut National des Langues et Civilisations Orientales. Membro da Académie Française desde 2002.

Jean-Claude Milner é linguista e filósofo, formado pela École Normale Supérieure. Foi professor da Universidade Paris VII. Publicou, entre outros, O amor da língua, Os nomes indistintos, A obra clara e Le périple structural.

François Regnault é filósofo, dramaturgo e tradutor, também normalien. Convidado por Foucault, ensinou no Departamento de Filosofia da Universidade Paris VIII de 1970 até 1974, quando foi convidado por Lacan para integrar o recém-fundado Departamento de Psicanálise. Publicou, notadamente, Dieu est inconscient e Em torno do vazio: a arte à luz da psicanálise.

Gérard Wajcman é escritor e psicanalista. Ensina no Departamento de Psicanálise da Universidade Paris VIII, onde dirige o Centro de Estudo de História e de Teoria do Olhar. Autor de Fenêtre, chroniques du regard et de l’intime, L’objet du siècle (1998) e L’œil absolu.

Sobre a tradutora – Yolanda Vilela é psicanalista. Concluiu “maîtrise” e “D.E.A” em Psicanálise pela Universidade de Paris 8 (França); doutorado pelo programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da UFMG, com tese sobre a obra do escritor francês Pascal Quignard e pós-doutorado pelo mesmo programa, com estudos sobre a letra e a imagem na obra de Pascal Quignard. É autora de traduções e artigos, publicados na França e no Brasil, que contemplam os campos literário e psicanalítico.

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