Por que calar nossos amores #2

Vários - Publicado na categoria Resenhas & Trechos em 09/11/2018


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Catulo 48

Os teus olhos de mel, Juvêncio, se eu
os pudesse beijar continuamente,
continuamente eu beijaria até
trezentos mil sem ver-me satisfeito
nem se mais densa do que espigas secas 5
fosse a messe dos beijos meus e teus.

Catulo 81

Não havia, Juvêncio, em povo tão imenso,
um homem belo a quem quisesses mais
que de Pisauro moribunda esse teu hóspede
mais pálido que estátua redourada,
que tens no coração e que ousas preferir 5
a mim? Não vês o crime que cometes!

Catulo 99

Roubei-te (tu brincavas), Juvêncio de mel
um beijinho mais doce que ambrosia
mas não impune pois por uma hora ou mais
me vi na ponta de uma estaca enfiado
me desculpando, mas meus prantos não dobraram 5
nem um tantinho da maldade tua.
Feito o que fiz, teus lábios, úmidos de muitas
gotas, secaste com teus dedos todos,
minha boca malsã não fosse qual saliva
suja de meretriz em que se mija. 10
Depois, a infesto Amor entregar-me infeliz
não cessaste e excruciar-me de mil modos,
até que em mim o tal beijinho, de ambrosia,
tornou-se amargo, mais que o amargo heléboro.
Porque esta é a pena que atribuis a um triste amor, 15
eu beijos nunca mais hei de roubar.

Poemas retirados da página 49 do livro Por que calar nossos amores, publicado pela Autêntica Editora.

Tags:  poesia homoerótica,  porque calar nossos amores,  autêntica


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