Ousadas | Juliana Gomes, criadora do Leia Mulheres, fala sobre a graphic novel de Pénélope Bagieu

Juliana Gomes - Publicado na categoria Resenhas & Trechos em 25/09/2018


Desde de 2015, sou uma das coordenadoras de um projeto chamado Leia Mulheres que é baseado no Read Woman, #readwoman, campanha criada pela escritora Joanna Walsh que propôs o projeto #readwomen2014 (#leiamulheres2014) que consistia basicamente em ler mais escritoras. Convidei duas amigas, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques, para transformarem a ideia de Joanna Walsh em algo presencial em livrarias e espaços culturais. Um convite à leitura de obras escritas por mulheres – de clássicas a contemporâneas. Desde então, são mais de 80 clubes pelo Brasil. E você deve se perguntar: o que um projeto de leitura teria a ver com o livro Ousadas? Logo respondo: TUDO!

Quando falamos sobre apagamento das mulheres vemos escritoras, jornalistas, mediadoras, editoras e todas que estão envolvidas no processo do livro serem esquecidas ou apagadas por seus maridos, chefes ou homens que trabalhavam neste processo. Surge então Pénélope (autora de ‘Ousadas’) mostrando mulheres do cotidiano e suas descobertas e como foram ousadas porque fizeram o que quiseram.

Em Ousadas – Mulheres que fazem o que querem, de Pénélope Bagieu, descobrimos o destino de Nzinga, Rainha do Ndongo e Maamba, que enfrentou os colonizadores portugueses, Agnodice, ginecologista na Grécia antiga que foi forçada a se disfarçar de homem para praticar, Giorgina Reid, faroleira, Wu Zetian, a ex-concubina tornou-se a única imperatriz da história da China, ou Annette Kellerman, que inventou o maiô moderno. Todas as histórias são fascinantes e, como não as conhecíamos antes, é algo que ficará ressoando em sua cabeça. O apagamento dessas mulheres vai nos mostrar o quanto ainda lutamos para que mulheres fora do padrão mostrem seus trabalhos e realmente apareçam.

Pénélope Bagieu pesquisou os destinos dessas mulheres ousadas, não estrelas ou heroínas, mas mulheres de todas as idades, desde a antiguidade até hoje, que, em suas vidas, agiram de uma maneira à frente de seu tempo.

Pénélope mostra no quadrinhos Ousadasoriginalmente editado no jornal Le monde – heroínas que fogem do estereótipo que nos mostram nos quadrinhos ou na TV, são mulheres que se tornaram heroínas por terem ajudado a melhorar a sociedade e a ciência por descobertas ou comportamentos que melhoraram nossa condição atual.

Apesar dos avanços que aconteceram com as mulheres, ainda enfrentamos duas vezes mais adversidades que os homens, porque precisamos nos libertar da sociedade, geralmente também, de acordo com os tempos, de sua família, um papel preconcebido que é esperado de nós. E essas heroínas anônimas por algum tempo antes de Pénélope encontrá-las estavam ali na gaveta do esquecimento. De certa forma mostrar essas mulheres tornou-se o destino/meta da autora.

Quem sabem um dia teremos Ousadas versão autoras/editoras/estudiosas brasileiras?

Já estou ansiosa pelo segundo volume desse quadrinho e que tenhamos mais histórias das nossas heroínas anônimas e que possamos nos sentir ousadas todos os dias.

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Juliana Gomes é criadora e uma das coordenadoras nacionais do Leia Mulheres, clube de leitura que lê e discute escritoras mulheres.

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