"O trabalho remoto não é o que estamos vivendo", explica autor

Matheus de Souza - Publicado na categoria Nossos Autores em 16/04/2020


Sem que tivéssemos tempo para pensar, nossas relações com o trabalho mudaram por completo, e o home office se tornou a opção mais segura para a maior parte das pessoas em todo o mundo.

Por um lado, o atual cenário nos impede de estar onde quisermos. Por outro, nos permite pensar sobre como é possível ampliar nossos horizontes e enxergar a vida profissional por uma outra ótica, completamente nova.

Por isso, convidamos Matheus de Souza, Top Voice do LinkedIn e autor de Nômade Digital – Um guia para você viver e trabalhar como e onde quiser, publicado pela Autêntica Business, para falar sobre como tem enfrentado o período da quarentena.

O autor, conhecido por seu estilo de vida nômade, está familiarizado há anos com o trabalho remoto. Nesta entrevista, você confere como ele está enfrentando a pandemia e como, em sua opinião, serão as relações profissionais no futuro. Confira.

Como você, que se escolheu o estilo de vida nômade, viajando o mundo e trabalhando de forma remota, tem se adaptado à quarentena?


Para mim, a rotina de trabalho não mudou, uma vez que eu já trabalhava de forma remota antes da pandemia. O que tem me tirado o sono é a sensação de perda da minha liberdade. Não apenas pela questão da quarentena, mas por não conseguir fazer planos para um futuro não tão distante. No momento estou na Tailândia, as fronteiras estão fechadas até 30 de abril (mas podem ficar mais tempo) e tenho uma passagem para ao Vietnã em 07 de maio. Não sei como as coisas estarão até lá, então tenho vivido um dia de cada vez, sem fazer planos.

Qual é sua dica para quem, de repente, se viu obrigado a trabalhar remotamente, sem ter tido essa experiência prévia?


Quem se viu obrigado a trabalhar de forma remota sem ter experiência antes não deve achar que o trabalho remoto é isso que estamos vivendo. Digo isso porque trabalhar de casa nas condições atuais de quarentena é completamente diferente do que os trabalhadores remotos estão acostumados. O fator social conta muito para o equilíbrio entre vida e pessoal e profissional. Quando você perde isso, como agora durante a pandemia, fica mais difícil se concentrar no trabalho, você se sente menos produtivo. Eu mesmo tenho tido problemas de concentração porque quero me informar sobre a situação no Brasil, saber como estão minha família e amigos.

Quem está experimentando o trabalho remoto pela primeira vez tem que ter alguns cuidados para que a produtividade não seja ainda mais afetada por conta dessas questões emocionais: crie uma rotina; escolha um cômodo da casa para ser seu escritório; use e abuse das ferramentas online; elimine as distrações (o WhatsApp pode ser uma grande distração); não fique disponível o tempo todo (tenho lido muitos relatos de profissionais que estão trabalhando ainda mais porque não consegue se desconectar do trabalho) e, por fim, FIQUE EM CASA!

Em sua opinião, como a pandemia afetará as relações de trabalho? Como este universo se estabelecerá quando tudo acabar?


O futuro é remoto. Não tenho dúvidas disso. Penso que uma das poucas coisas boas desse momento que estamos vivendo é que empresas e funcionários estão tendo a oportunidade de experimentar o trabalho remoto. Ainda há uma certa resistência das empresas com o trabalho remoto e, com tanta gente tendo que trabalhar dessa forma, validando esse modelo, a tendência é que mesmo após a quarentena muitos profissionais sigam em home office.

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