A revolução dos bichos em cordel: uma nova versão para um dos maiores clássicos da literatura mundial

Equipe - Publicado na categoria Dicas de leitura em 24/02/2022


Em 2021, a Autêntica Editora lançou A fazenda dos animais, tradução da obra original de George Orwell. Agora, em 2022, chega às livrarias A revolução dos bichos em cordel, adaptação do clássico para o ambiente nordestino. O livro é fiel ao enredo original, mas veste uma nova roupagem, singular e vibrante.


Se, por um lado, a história é a mesma, tudo o mais é diferente: A fazenda dos animais é uma tradução direta do original, daí a importância da fidelidade ao texto – incluindo o título, Animal Farm. Nessa edição foram preservados o clima da narrativa original, a entonação do autor e suas peculiaridades, ao mesmo tempo que o texto foi trabalhado para o leitor brasileiro, sem sotaque, sem anglicismos.


A revolução dos bichos em cordel, por sua vez, é a transposição da história original para outro gênero, o cordel, que tem características muito próprias. É nessa forma poética popular, tipicamente brasileira, nordestina, extremamente sintética que se conta a história clássica – que perde seu sotaque original para ganhar um acento nacional. A ambientação também muda completamente: o cenário é o sertão nordestino, a paisagem, as roupas, o clima, tudo é sertanejo. O livro é uma adaptação – naturalmente, com a contribuição pessoal e criativa do autor. Nas palavras de Josué Limeira:

“Trazer a bicharada da Granja do Solar para o habitat do Nordeste, lugar de tantas revoluções, como a Guerra de Canudos, Guerra dos Mascates, Revolução Praieira, Revolução Pernambucana, a própria história de Lampião, me deu uma liberdade poética muito grande, e trazer para o gênero cordel, poetizar essa história, foi uma coisa fantástica.”


Em ambas as obras, conta-se a mesma história, a original com mais narrativa, e o cordel, em menos detalhes. A revolução dos bichos em cordel abre, para o leitor, uma nova possibilidade de contato com a história, que está lá, inteira, mas com uma abordagem inédita, ampliando as possibilidades de leitura e fruição de um texto clássico da literatura mundial, agora no catálogo da Yellowfante.


Conheça mais sobre o livro


Compare um trecho do texto original com sua versão em cordel:


“O Homem é a única criatura que consome sem produzir. Ele não dá leite, ele não põe ovos, ele é fraco demais para conduzir o arado, ele não corre rápido o bastante para apanhar coelhos. Contudo, ele é o senhor de todos os animais. Ele os põe para trabalhar, ele lhes restitui o mínimo para impedir que morram de fome, e o restante ele guarda para si. Nosso trabalho lavra a terra, nosso adubo a fertiliza, e contudo não há nenhum entre nós que possua mais do que a própria pele. Às vacas que vejo diante de mim eu pergunto: quantos milhares de galões de leite vocês produziram no último ano? E o que aconteceu àquele leite que deveria estar dando sustância aos novilhos? Cada gota dele está descendo pela goela de nossos inimigos. E vocês, galinhas, quantos ovos puseram este ano, e quantos desses ovos chocaram pintinhos? O restante foi todo para o mercado render dinheiro a Jones e seus homens. E você, Clover, onde estão os quatro potros que você gerou, que deviam ter sido o arrimo e a felicidade da sua velhice? Cada um deles foi vendido com um ano de idade – você nunca mais voltará a vê-los. Em troca de suas quatro crias e de todo o seu trabalho nos campos, o que foi que você ganhou além de rações e uma baia?”


“– O homem é a criatura
Que gasta sem produzir.
Não dá leite, nem põe ovos,
Nem puxa arado aqui.
Mas é o senhor dos bichos
E com todo esse capricho
É difícil de engolir.

– As vacas que aqui vejo
Deram leite em produção.
O homem bebeu, vendeu,
Fez doce no caldeirão.
E os bezerros, coitados?
Todos eles desmamados,
Com cara de aflição.”

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