9 livros para entender a Segunda Guerra Mundial

Publicado na categoria Resenhas & Trechos em 08/05/2020


Em 8 de maio de 1945, em Reims, na França, as tropas alemãs rendiam-se incondicionalmente. Terminava assim a Segunda Guerra Mundial, o maior conflito bélico do século XX. Setenta e cinco anos depois, os desdobramentos da guerra ainda ecoam, e o impacto dos governos fascistas e da Solução Final de Hitler ainda intrigam a humanidade.

Não é fácil entender como a humanidade pode ter chegado a esses extremos. Mas, para ajudar você a conhecer mais sobre este capítulo da nossa história, fizemos uma seleção de 9 livros indispensáveis sobre o assunto. Confira.

Não ficção

Os meninos que enganavam nazistas, de Joseph Joffo (Vestígio)

Os meninos que enganavam nazistas

Tradução de Fernando Scheibe

Paris, 1941. O país é ocupado pelo exército nazista, e o medo invade as casas e as ruas francesas. O poder de Hitler se mostra absoluto e brutal… É durante um dos períodos mais turbulentos da História que a emocionante narrativa de Joseph e Maurice se desenrola. Irmãos judeus de 10 e 12 anos de idade, eles perambulam sozinhos pelas estradas, vivendo experiências surpreendentes, tentando escapar da morte e em busca da zona livre para ganhar a liberdade.

Disponível também em audiobook, essa é uma história real, autobiográfica, cuja espontaneidade, ternura e humor comprovam o triunfo da humanidade e da empatia nos momentos mais sombrios, quando o perigo está sempre à espreita… Os meninos que enganavam nazistas conta a fantástica e emocionante epopeia de duas crianças judias durante a ocupação, narrada por Joseph, o mais jovem.

Eu, Miep, escondi a família de Anne Frank, de Miep Gies e Alison Leslie Gold (Vestígio)

Eu, Miep, escondi a família de Anne Frank

Tradução de Íris Figueiredo

Para os milhões de leitores apaixonados pelo livro O Diário de Anne Frank, aqui está a surpreendente história de Miep Gies. Por mais de dois anos, Miep e seu marido ajudaram a esconder judeus dos nazistas. Como milhares de heróis desconhecidos do Holocausto, eles arriscaram suas vidas todos os dias para levar comida, notícias e apoio emocional às vítimas.

Neste livro, Miep Gies relembra seus dias com honestidade e sensível clareza. Ela narra desde sua infância sofrida como refugiada da Primeira Guerra Mundial até o momento em que coloca o pequeno diário xadrez de Anne Frank nas mãos de seu pai, Otto Frank. O diário ficou guardado com Miep por muitos anos e, graças a ela, ele pode ser publicado.

Eu, Miep, escondi a família de Anne Frank é uma história fascinante e verdadeira, em que cada página nos toca com coragem e delicadeza.

Os garotos dinamarqueses que desafiaram Hitler, de Phillip Hoose (Vestígio)

Os garotos dinamarqueses que desafiaram Hitler

Tradução de Elisa Nazarian

Profundamente envergonhado com os líderes de seu país, que se renderam sem resistência aos ocupantes alemães na Segunda Guerra Mundial, o jovem dinamarquês Knud Pedersen, de 15 anos, se juntou a seu irmão e a um punhado de colegas da escola para tomar uma atitude contra os nazistas, já que os adultos não o fariam.

Batizando seu clube secreto com o nome do impetuoso líder britânico, os jovens patriotas do Clube Churchill cometeram incontáveis atos de sabotagem, despertando a fúria dos alemães, que acabaram identificando e prendendo os garotos. Mas seus esforços não foram em vão: as façanhas do clube e a captura de seus membros ajudaram a desencadear uma resistência generalizada na Dinamarca.

Intercalando sua narrativa com as memórias em primeira pessoa de Knud Pedersen, Phillip Hoose conta em Os garotos dinamarqueses que desafiaram Hitler a história inspiradora desses jovens heróis de guerra.

Os homens que salvavam livros, de David E. Fishman (Vestígio)

Os homens que salvavam livros, de David E. Fisher

Tradução de Luis Reyes Gil

Os homens que salvavam livros é a incrível história real dos habitantes do gueto de Vilna, na Lituânia, que resgataram milhares de livros e manuscritos raros da cultura judaica por duas vezes – primeiro das mãos dos nazistas, depois dos soviéticos. Tendo como base documentos judaicos, alemães e soviéticos, incluindo diários, cartas, memórias e entrevistas do autor com vários participantes da história, o livro registra as atividades ousadas de um grupo de poetas e eruditos que se tornaram combatentes e contrabandistas na cidade conhecida como a “Jerusalém da Lituânia”.

Partindo de uma extensa pesquisa do principal estudioso do gueto de Vilna, de estilo e ousadia excepcionais, Os homens que salvavam livros é uma história épica de heroísmo, um conto pouco conhecido dos dias mais sombrios da guerra.

Salvando a Mona Lisa, de Gerri Chanel (Vestígio)

Salvando a Mona Lisa, de Gerri Chanel

Tradução de Marcelo Hauck

No final de agosto de 1939, quando a guerra ameaçava eclodir na Europa, os curadores do Louvre guardaram o quadro mais famoso do mundo em um estojo especial forrado com veludo vermelho e o enviaram ao Vale do Loire, cerca de 200 quilômetros ao sul de Paris.

Assim começou a maior retirada de obras de arte e antiguidades da história. À medida que os alemães se aproximavam da capital em 1940, os franceses se apressaram para despachar as obras-primas cada vez mais ao sul, durante a guerra, cruzando todo o sudoeste da França.

Durante a ocupação alemã, a equipe do Louvre lutou para manter tesouros inestimáveis longe das mãos de Hitler e seus seguidores e para manter o palácio do Louvre seguro, muitas vezes arriscando seus empregos e suas vidas para proteger a herança artística do país. Salvando a Mona Lisa é a história arrebatadora e cheia de suspense dessa batalha.

Resultado de uma pesquisa profunda e acompanhado por fotografias fascinantes daquele período, a obra é uma envolvente história real de arte e beleza, intriga e sagacidade, e de uma coragem moral notável em face de um dos inimigos mais aterrorizantes da história.

O diário de Anne Frank em quadrinhos, ilustrado por Mirela Spinelli (Nemo)

O diário de Anne Frank em quadrinhos, ilustrado por Mirela Spinelli

Em 1942, Anne Frank, uma garota judia de apenas 13 anos, é forçada a se esconder com a família diante das constantes ameaças dos nazistas. Em seu diário, ela narra a própria história, privada do mundo exterior, enquanto sonha em ter sua liberdade de volta. Por meio dele, podemos acessar os sentimentos mais profundos da garota que, presa por tanto tempo em um pequeno abrigo com outras sete pessoas, ainda se revela uma jovem engraçada, sensível e cheia de esperança.

Anne Frank não conquista a tão sonhada liberdade, mas sua história sobrevive.
O diário de Anne Frank em quadrinhos”: https://grupoautentica.com.br/vestigio/livros/o-diario-de-anne-frank-em-quadrinhos/1651 é uma adaptação do título O anexo: notas do diário de 12 de junho de 1942 a 1º de agosto de 1944, um relato doce e, ao mesmo tempo, melancólico da menina judia e sua experiência durante a Segunda Guerra.

Filhos de nazistas, de Tania Crasnianski (Vestígio)

Filhos de nazistas, de Tania Crasnianski

Tradução de Fernando Scheibe

Até 1945, seus pais eram considerados heróis. Depois da derrota alemã, ficou claro que eram carrascos. Gudrun, Edda, Niklas e os outros retratados neste livro são os filhos de Himmler, Göring, Hess, Frank, Bormann, Höss, Speer e Mengele, alguns dos principais responsáveis pelo horror nazista.

Crianças ou adolescentes durante a guerra, eles a viveram sob a proteção de seus pais afetuosos e poderosos. Para eles, a queda do Reich foi um verdadeiro choque de realidade. Inocentes, inconscientes dos crimes de seus pais, descobriram então toda a sua extensão. Alguns julgaram e condenaram. Outros continuaram reverenciando esses homens execrados por toda a humanidade.

Filhos de nazistas retrata a ascensão e o cotidiano, ao mesmo tempo extraordinário e banal, desses altos funcionários que realizavam diariamente seu trabalho de morte e depois conviviam com suas famílias, instaladas por vezes ao lado dos campos de concentração e extermínio. O livro descreve as existências singulares desses filhos ao se tornarem adultos: a queda, a miséria, a vergonha ou o isolamento.

Que laços eles mantiveram com seus pais? Como viver com um nome amaldiçoado pela História? Em que medida a responsabilidade pelos crimes é transmitida aos descendentes?

Ficção

A pele, de Curzio Malaparte (Autêntica)

 A pele, de Curzio Malaparte

Tradução de Beatriz de Almeida Magalhães

Nas ruas miseráveis de uma Nápoles em ruínas, quando o exército aliado expulsou dali os alemães, a libertação é apenas outra palavra para desespero. A prostituição é desenfreada. O cheiro da morte está em todo lugar. Tudo supervisionado por americanos que, na sua ingenuidade, não entendem exatamente por que estão ali.

Lançado em 1949, já em 1950 vieram as sanções: a “proibição moral de Curzio Malaparte” pelo Conselho Comunal de Nápoles e a inclusão do livro no Index dos livros proibidos pela Congregação do Santo Ofício. Em 1962, a publicação no Brasil se deu como celebração. Na apresentação daquela edição, diz Ênio Silveira: “Uma obra prima de violência, de crueldade, de degradação e, ao mesmo tempo, de louvor à condição humana”. Hoje são apontados, para além dos pecados originais, os da incorreção política.

O livro nasceu ambíguo como o próprio autor, que deixou resposta no personagem Jack Hamilton: “Não há qualquer importância se o que Malaparte conta é verdadeiro ou falso. A questão a ser posta é bem outra: se o que ele faz é arte ou não”.

Um banquete para Hitler, de V. S. Alexander (Gutenberg)

Um banquete para Hitler, de V. S. Alexander

Tradução de Cristina Antuntes

No começo de 1943, esperava-se que jovens mulheres alemãs servissem seu país trabalhando para o Reich ou se casando e tendo filhos fortes e saudáveis. É nesse contexto que a jovem Magda Ritter, enviada pelos pais à Bavária para manter-se a salvo dos bombardeios aliados, é apontada para trabalhar na Berghof, o retiro nas montanhas de Hitler. Apenas depois de semanas de treinamento ela descobre qual será sua tarefa: provar a comida do Führer, se oferecendo em sacrifício para evitar que ele seja envenenado.

Apavorada a princípio, Magda gradualmente se acostuma ao seu perigoso trabalho. Mas seu romance com um conspirador infiltrado na SS e sua consciência cada vez maior das atrocidades do Reich lançam a jovem ao centro de uma trama que testará sua esperteza e sua lealdade.

Unindo a história e a ficção, Um banquete para Hitler, disponível também em audiobook, mostra os extremos de privilégio e opressão sob a ditadura do Führer, expondo os dilemas morais da guerra em uma narrativa emocionante, cheia de atos de extraordinária coragem em busca de segurança, liberdade e, finalmente, vingança.


Ainda existe muito a ser dito, e até mesmo descoberto, sobre tudo o que aconteceu na Europa e no mundo naqueles sombrios anos entre 1939 e 1945. Não é à toa que, mesmo oito décadas depois, continuamos debatendo e publicando sobre o assunto. Conheça nossos livros sobre o tema e continue participando dessa conversa.

Tags:  segunda guerra mundial,  banquete para Hitler,  nazismo,  holocausto,  Gutenberg


Comentários