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Press kit: "Caixa O belo perigo e A grande estrangeira"

Autêntica Editora lança dois livros de Foucault em edição especial

Caixa com textos inéditos é uma excelente oportunidade de conhecer sua faceta de grande admirador da escrita e da literatura

O belo perigo e A grande estrangeira não são textos filosóficos convencionais, têm a singularidade de proporcionar ao leitor uma rara chance de apreciar um dos maiores filósofos contemporâneos falando de si na primeira pessoa e de conhecer um pouco da sua relação com a escrita, a leitura e a literatura. A partir desses textos, manifesta-se um Michel Foucault até então invisível para os leitores, que certamente farão uma (re)descoberta da sua obra.

A grande estrangeira traz registros de intervenções orais de Foucault, realizadas entre 1963 e 1970, que permitem descobrir seu lado leitor – voraz, exigente e brilhante –, além de sua complexa, crítica e estratégica relação com a literatura. Os primeiros textos são transcrições de dois programas de rádio transmitidos em janeiro de 1963, dedicados à linguagem da loucura, em que o filósofo cita Shakespeare, Cervantes, Diderot, Artaud, Leiris, Sade, entre outros, além de documentos históricos referentes às práticas sociais diante da loucura.

Em um registro bem diferente, Foucault prolonga suas reflexões de A história da loucura – lançado originalmente em 1961 e reeditado em 1972 – e desenvolve a tese de que, no fundo, loucura e linguagem são contemporâneas, como que gêmeas. O livro contém ainda duas conferências: uma proferida em 1964, sobre linguagem e literatura, em que o filósofo disseca, esmiúça e penetra as diversas camadas da literatura, considerada por ele um fenômeno muito mais recente do que se costuma imaginar; e a segunda, de 1970, dedicada a Sade, em que demonstra que, para o “divino marquês”, em última instância, não apenas Deus, a alma, a lei e a natureza são quimeras, mas “o próprio indivíduo não existe”.

O belo perigo é um pequeno grande livro que aborda a relação afetiva de Foucault com a arte da escrita – suas potencialidades, limitações e perigos. Uma entrevista conduzida brilhantemente pelo crítico literário da revista Arts, Claude Bonnefoy, em 1968, que destaca a faceta do Foucault escritor, pensador engajado e crítico permanente de seu próprio pensamento. A conversa não tem a pretensão de contemplar os livros do pensador, pelo contrário, a proposta do entrevistador foi que ela ficasse às margens dos seus escritos. No entanto, ao adentrar no território de sua trajetória intelectual, permite ao leitor descobrir a trama secreta por trás deles, o “avesso da tapeçaria”, o que vai dentro da “máquina” de escrever foucaultiana, que deixou marcas profundas na filosofia, na política, na psiquiatria e na estética (do século XX).

Diz Foucault no início da entrevista: “Você me disse que não se trataria nessas conversas de redizer aquilo que eu já disse em outros lugares. De fato, acho que seria rigorosamente incapaz disso. Contudo, o que você me pede tampouco são confidências, não é minha vida nem aquilo que sinto. Seria preciso, portanto, que conseguíssemos encontrar uma espécie de nível de linguagem, de fala, de troca, de comunicação que não seja nem exatamente da ordem da obra, nem da explicação, nem tampouco da confidência. Então vamos tentar. Você estava falando da minha relação com a escrita.”

Os lançamentos chegam às livrarias em uma edição especial, reunidos em uma caixa de luxo, e contam com textos de apresentação de Jean Marcel Carvalho, Philippe Artières (em O belo perigo), Judith Revel, Jean-François Bert e Mathieu-Potte Bonneville (em A grande estrangeira), além de notas dos editores que ajudam a compreender o cenário das intervenções do filósofo. A edição brasileira procurou manter as marcas da oralidade nos textos, que têm tradução de Fernando Scheibe, doutor em Teoria Literária pela UFSC e tradutor de obras como: O erotismo e A literatura e o mal e Teoria da religião, de Georges Bataille, Divagações, de Stéphane Mallarmé, Locus Solus, de Raymond Roussel, Ontologia do acidente, de Catherine Malabou, e (em parceria com Marcelo Jacques de Moraes e Caio Meira), entre outros.

A literatura que não deve ser compreendida como a linguagem do homem, nem como a Palavra de Deus, nem como a linguagem da natureza, nem como a linguagem do coração ou do silêncio; a literatura é uma linguagem transgressiva, é uma linguagem mortal, repetitiva, redobrada, a linguagem do próprio livro. Na literatura, há apenas um sujeito que fala, um só fala, e é o livro […].
Michel Foucault – A grande estrangeira

Com minha escrita, percorro o corpo dos outros, faço incisões nele, levanto os tegumentos e as peles, tento descobrir os órgãos e, trazendo-os à luz, fazer enfim aparecer esse foco de lesão, esse foco de doença, esse algo que caracterizou sua vida, seu pensamento e que, em sua negatividade, finalmente organizou tudo aquilo que eles foram. Esse coração venenoso das coisas e dos homens, eis, no fundo, o que sempre tentei trazer à luz.
Michel Foucault – O belo perigo

Sobre o autor: Michel Foucault nasceu em 1926 na pequena cidade francesa de Poitiers. Em 1946 ingressou na École Normale Supérieure de Paris, onde estudou Filosofia e Psicologia. Nos anos 1950 passou alguns anos na Suécia, depois na Polônia e na Alemanha. Na década de 1960 publicou História da loucura na idade clássica (1961), Nascimento da clínica (1963), As palavras e as coisas (1966) e Arqueologia do saber (1969). Em 1970 passou a lecionar no Collège de France. Nos anos 1971-1972, o filósofo intervém no Grupo de Informação sobre as Prisões que fundou com Pierre Vidal-Naquet e Jean-Marie Domenach. No período de 1976 a 1984 são produzidos os três volumes da História da sexualidade. Alguns anos após sua morte, em 1984, começaram a ser publicadas as edições de seus Ditos e escritos e também os cursos que ministrou no Collège de France.

Serviço

Autor: Michel Foucault
Tradutor: Fernando Scheibe
Páginas: 80 / 200
Formato: 14 × 21 cm
Acabamento: brochura
ISBN: 978-85-8217-576-7 978-85-8217-577-4

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